Alfabetización en la Educación Sordos: Los ciudadanos de ahora construyendo Un Mañana
Letramento na Educação de
Surdos: Cidadãos do agora construindo Um Amanhã
Lettering in Deaf Education:
Citizens of now building A Tomorrow
Artur Maciel de Oliveira Neto
Autor corresponsal: oliveiraneto.a.m@gmail.com
https://orcid.org/0000-0001-7063-2204
Universidad
Autónoma de Asunción, Paraguay.
Ana Lúcia de Oliveira Aguiar
https://orcid.org/0000-0003-3626-2427
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil.
Daniel Gonzaléz Gonzaléz
https://orcid.org/0000-0001-7311-5819
Universidad de
Granada, España.
DOI: https://doi.org/10.35756/educaumch.202015.128
Recibido: 16 de diciembre 2019
Evaluado: 17 de febrero 2020
Aceptado: 15 de mayo 2020
Como citar
de Oliveira
Neto, A., de Oliveira Aguiar, A., & Gonzaléz Gonzaléz, D. (2020).
Letramento na educação de surdos: cidadãos do agora construindo um
amanhã. Revista EDUCA UMCH, (15), 03-12 https://doi.org/10.35756/educaumch.202015.128
“Alfabetizar
e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário o ideal seria alfabetizar
letrando, ou seja, ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais
da leitura e da escrita”
(Soares, 2013, p. 19).
Resumo
O presente artigo objetivou compreender o que os
professores dizem sobre as suas práticas de alfabetizar letrando.
Para tal discorremos sobre a historicidade da alfabetização, sobre o que seria a alfabetização e letramento procurando trazer fundamentos
teóricos atuais sobre o processo da aquisição da leitura e da escrita por alunos surdos matriculados na Educação Infantil
e no Ensino Fundamental I. Abordamos ainda o sujeito
da escrita e do letramento e o papel do professor
alfabetizador-letrador. A pesquisa foi desenvolvida com dois professores
e um apoio pedagógico do CAS Mossoró,
pois os mesmos trabalham com o atendimento educacional especializado a alunos surdos matriculados na
modalidade de Educação da rede municipal
de ensino de Mossoró/RN. A pesquisa será de cunho qualitativo, utilizaremos como instrumentos de coleta de dados questionários e entrevistas, buscando
a partir do que dizem respostas aproximadas a sua pratica de alfabetização. O estudo trouxe como aproximações que processo de ensino e aprendizagem do alfabetizar
ocorre ainda de maneira linear, quando tratam do significado desse processo na sua prática, o que se mostra como uma
compreensão híbrida, pelo desconhecimento que apresentam no sentido de a articulação necessária entre os dois processos.
Palavras-chave: Alfabetização; letramento; professores; educação
de surdos.
Abstract
This article aimed to understand what teachers
say about their literacy skills. To this end, we discuss the historicity of
literacy, about what literacy and literacy would be, seeking to bring current
theoretical foundations about the process of acquisition of reading and writing
by deaf students enrolled in Early Childhood Education and Elementary School I.
We also approach the subject of writing and literacy and the role of the
literacy teacher. The research was developed with two teachers and pedagogical
support from CAS Mossoró, as they work with
specialized educational assistance to deaf students enrolled in the Education
modality of the municipal teaching network of Mossoró/RN.
The research will be of a qualitative nature, we will use questionnaires and
interviews as instruments of data collection, seeking from what approximate
answers say about your literacy practice. The study brought as approximations
that the teaching and learning process of literacy still occurs in a linear
way, when they deal with the meaning of this process in their practice, which
is shown as a hybrid understanding, due to the lack of knowledge in the sense
of the necessary articulation between students two processes.
Keywords: Literacy; teachers; deaf education.
Resumen
Este artículo tiene como objetivo comprender lo que los maestros dicen sobre sus habilidades de alfabetización. Con este fin, discutimos la historia de la alfabetización, acerca de lo que sería la alfabetización, buscando brindar los fundamentos teóricos actuales sobre el proceso de adquisición de lectura y escritura por parte de estudiantes sordos inscritos en Educación Infantil y Escuela Primaria I. También abordamos el tema de la escritura y la alfabetización y el papel del maestro en la alfabetización. La investigación la fue desarrollada por dos maestros con el apoyo pedagógico de CAS Mossoró, ya que trabajan con asistencia educativa especializada para estudiantes sordos inscritos en la modalidad de Educación de la red de enseñanza municipal de Mossoró/RN. La investigación es de naturaleza cualitativa, y utiliza cuestionarios y entrevistas como instrumentos de recopilación de datos, buscando, en lo que dicen las respuestas de los entrevistados, información sobre su práctica de alfabetización. El estudio ha concluido que el proceso de enseñanza y aprendizaje de la alfabetización todavía ocurre de manera lineal, cuando, en la práctica, abordan el significado de este proceso, que se muestra como una comprensión híbrida, debido a la falta de conocimiento en el sentido de la articulación necesaria entre los estudiantes y los procesos.
Palabras clave: Alfabetización, educación para sordos,
profesores.
Introdução
A fim de contribuir para o debate a
respeito da aquisição da língua portuguesa pelos
sujeitos surdos, exporemos uma síntese de alguns dos resultados de pesquisas
que desenvolvemos, a respeito da questão da alfabetização e do letramento e, em particular, a respeito do ensino-aprendizagem da alfabetização e do
letramento, com dois alunos da segunda fase da segunda
etapa da educação
infantil matriculados nas Unidades de Educação
Infantil (UEI) no município de Mossoró e um aluno do primeiro ano e dois alunos do segundo
ano do e no Ensino Fundamental I, também oriundos
da rede municipal de ensino e
atendidos pelo Centro Estadual de Capacitação de Educadores e Atendimento ao Surdo (CAS Mossoró). Na
perspectiva de respostas aproximativas, nosso
objetivo central consiste em compreender o que dizem os professores do CAS Mossoró da turma de Libras I, sobre a sua
prática de alfabetizar e/ou letrar. Assim se
constituiu o nosso objeto de estudo que conforme, vimos anunciando consiste
no significado de alfabetizar
e letrar para crianças surdas de quatro a seis anos de idade, em uma pesquisa de campo norteada a partir
de fundamentos teóricos Ferreiro (2011, 2018,
2019); Freire (1990); Kleiman (2019); Soares (2011, 2013, 2014, 2016);
dentre outros e para nos subsidiar na
metodologia e análise de dados de nosso trabalho nos embasamos nos trabalhos de Campoy (2018) para análise dos dados.
Atualmente, sabe-se que o processo
de aprendizagem é contínuo e nos acompanha sempre, da infância à velhice.
Da mesma maneira ocorre com o processo de alfabetização,
sendo este, considerado um processo permanente, que não se restringe à aprendizagem da leitura e da escrita e que
juntamente com o Letramento tem forte influência
na vida social das pessoas. Geralmente discute-se muito sobre educação de surdos, sobre o processo de alfabetização,
sobre a aquisição da língua portuguesa na modalidade escrita
e sua importância para as pessoas e para o país. Porém, se observarmos os investimentos que o Brasil
faz, perceberemos que ele cresce muito a cada dia em tecnologia, em produção, em exportações, mas em proporções infinitamente menores, em educação. Nosso país é rico em
diversos recursos, mas boa parte de
sua população vive em condições precárias e recebem uma educação de baixa qualidade. Acrescido a isso, é muito comum
escutarmos que o ensino da rede pública é inferior se comparado à rede privada.
Mas por que isso acontece?
Essa é uma pergunta complicada de ser respondida, já que se sabe que os recursos
que deveriam ser usados na qualificação da educação ofertada
nas escolas públicas
geralmente não chegam
a elas. Com isso, os alunos
menos favorecidos, que não têm condições de frequentar uma escola de qualidade
acabam enfrentando dificuldades para ingressarem no mundo letrado.
Pensando assim, na importância do processo da educação e do processo de alfabetização e de letramento no desenvolvimento do cidadão, é necessário compreendermos o que realmente significa
alfabetização, considerando ainda que ela depende
das características culturais, econômicas e tecnológicas em que cada sujeito vive devendo ser levadas em consideração
cada uma destas características como fator relevante
e diferencial na aprendizagem pessoal do aluno. Tem-se buscado conceitos diversos sobre letramento, já que este
termo tem se modificado com o passar dos anos.
No Brasil hoje, por exemplo, é considerado letrado aquele que é capaz de
localizar, compreender e usar
informações fornecidas por diferentes tipos de textos. No caso de crianças surdas com cinco anos de idade
observar isto tornar-se diríamos um tanto complicado pela sua complexidade
Porem estudos de Ferreiro (2019), Morais
(2018), Jung (2017) e Tfouni (2015), demonstram
que as crianças constroem hipóteses a respeito da escrita e da leitura, da mesma forma que o fizeram para a
aprendizagem da língua oral. Assim em todo o
momento em que buscam escrever
algo, as crianças
são colocadas à prova, pois necessitam
pensar, questionar, sobre que ou quais signos devem representar o que vão escrever, como se comporta a organização
desta escrita. É importante a mudança nessa concepção sobre a construção da escrita pela criança para que se entenda que a alfabetização acontece em um trabalho conceitual. As crianças, desde muito cedo,
procuram compreender todas as informações que recebem, através dos
textos, de outras pessoas, quer ao
participar de atos sociais que envolvem leitura e escrita quer não, pois essa informação antecede o início da instrução escolar.
Todo esse processo tem início a partir do
momento em que a escrita passa a ser foco
de atenção da criança, por influência
dos estímulos do ambiente cultural no qual ele
está inserido. Quando começa a interagir com a língua escrita nos livros,
jornais, revistas, quando tenta
compreender o ambiente que cerca e vai se valendo do jogo simbólico
para interpretar o mundo, operando com significantes e significados, a língua
escrita passa ser
considerada como
um
sistema
de
representação de
língua falada/sinalizada. Assim, no
momento em que a criança direciona sua atenção para ela, passa a ser vista como um objeto-substituto, em que um
significante (sinal gráfico) corresponde a outro significante (sinal) e, ambos, referentes a um significado (pensamento elaborado). O processo em questão ira se
constituindo pelos caminhos de formação do símbolo (mimese,
simulacro), os quais,
com o lúdico, a brincadeira e o jogo tornar-se-ão mais intensos.
Finalmente, ressaltamos que o
desenvolvimento deste trabalho não se justifica pelos métodos, para alfabetizar e que por si só eliminem o fracasso escolar
e analfabetismo. São
posicionamento que colocam em evidencia fatores do processo de aprendizagem da língua escrita de que
antes não se tinha conhecimento, ou seja, o entendimento
dos processos pelos quais a criança passa no desenvolvimento e aquisição da língua escrita.
Este sim é um conhecimento indispensável para educadores alfabetizadores que almejamos
ter no nosso sistema educacional uma melhoria da qualidade
da educação.
Dessa maneira o caminho metodológico
percorrido abrangeu características da pesquisa
de campo qualitativa com base em Campoy (2018), nessa dimensão definimos o campo da pesquisa em um centro de educação
especial, que possui uma ampla
experiência em educação de surdos e que possui como foco a alfabetização
dos surdos e a aquisição indenitária. Definimos
como sujeitos da pesquisa dois professores que lecionam na turma de Libras I e vem
trabalhando, e o apoio pedagógico especializado que acompanha o trabalho destes sujeitos,
fazendo um total de 3 sujeitos. Tendo em
vista que a pesquisa qualitativa, segundo Campoy (op. cit) incorre na
qualidade pela regularidade que
distingue o rigor cientifico. O percurso da investigação constou da coleta de dados através de questionários e
entrevistas, buscando a partir do que dizem respostas aproximadas a sua pratica
de alfabetização. A seguir sistematizaremos a caracterização do campo da pesquisa
e os
sujeitos participantes.
Caracterização do campo da pesquisa e dos sujeitos
Quadro 01:
Caracterização da Escola– Campo de Pesquisa

Fonte: Elaborada pelos autores.
O campo da pesquisa conforme já
mencionamos constitui-se de 01 centro de educação
especial, o CAS Mossoró, situada na zona urbana do município de Mossoró, que atende aos alunos surdos matriculados
tanto da rede municipal de ensino, quanto na
rede estadual de ensino. O CAS possui 180 alunos surdos matriculados provenientes de
12 cidades do Oeste potiguar.
A seguir, trazemos
um quadro com os sujeitos
da pesquisa que foram dois
professores definidos por estarem lecionando
na turma de Libras I, com mais
de dois anos de atuação e o apoio especializado que acompanha os professores. Utilizaremos nomes fictícios
para os sujeitos da pesquisa.
Quadro 2:
Perfil Professor- Sujeitos da Pesquisa

Fonte: Elaborada pelos
autores.
No que se refere aos sujeitos pesquisados, conforme anunciamos, todos trabalham
com crianças na faixa etária de 5 anos de idade. Com relação à formação acadêmica dos sujeitos entrevistados o
quadro acima identifica que todos possuem o curso superior
e a competência necessária para
o ensino de Libras.
Quadro 3:
Perfil do apoio pedagógico

Fonte: Elaborada pelos
autores.
Diante da entrevista do apoio pedagógico
do CAS já citada, vemos que ela atua nesta função há 13 anos, tem formação inicial
em pedagogia, e nunca estudou
a disciplina de alfabetização e letramento.
Em decorrência da própria natureza
do objeto de estudo, a pesquisa foi realizada
sob a perspectiva da abordagem qualitativa justificada pelo entendimento de que a mesma se constitui numa estratégia
que possibilita que os dados coletados sejam
compreendidos de forma contextualizada e, ainda, por possuir um plano
investigativo aberto e flexível como
no-lo apontam as reflexões de Campoy (2018). Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa
será de campo. Neste sentido, constituir-se-ão
em fontes primárias
para a coleta de dados a observação de sala de aula e um questionário que será respondido pelos
atores escolares. Mediante um primeiro contato, percebemos que o campo era permeado de peculiaridades e muito
interessantes para a temática a ser
explorada. No decorrer de nossas visitas, conseguimos estabelecer um diálogo mais aberto com os professores.
Isso só veio a acrescentar quanto aos processos que desconhecíamos e
aprofundamento dos fatores
que teoricamente estudávamos.
As entrevistas ocorreram
na sala de aula, onde foram esclarecidos os objetivos e como seria importante a colaboração
para a conclusão desta pesquisa. Sendo de suma
importância que elas desejassem participar
para responder as perguntas relativas ao tema explorado. Após esclarecê-las sobre a temática
do trabalho e sua finalidade, fizemos perguntas para conhecermos um pouco mais o perfil de
cada um, no que tange a formação acadêmica. Em seguida iniciamos
as entrevistas sobre questões da alfabetização
e do letramento. As entrevistas foram transcritas,
lidas, analisadas na perspectiva de extrair as categorias empíricas
de análise que se fundamenta nas teorias de Ferreiro (2001, 2018, 2019), Morais
(2018), Rego (2010) e Tfouni (2015), cuja ênfase esta do processo de alfabetização
focado no discente e não no docente e destina-
se a compreender o processo de apropriação do sistema alfabético de
escrita, e como o aluno surdo
atendido pelo CAS Mossoró é inserido
na cultura escrita por meio do letramento.
Tendo em vista que a análise de dados da
pesquisa qualitativa implica na busca de compreensão de um objeto que não se
revela linearmente ao pesquisador, que precisa buscar estar desprovido de
convicções, crenças, pressupostos, o que requer um exercício de vigilância
epistemológica, consideramos que os dados aqui analisados de onde emergiram as
categorias a que os referiremos a seguir consistem em aproximações que julgamos
críticas, ao objeto de estudo. Dessa maneira, as categorias empíricas consistem
em: conceito de alfabetizar: Alfabetizar como ensino de leitura de mundo;
Alfabetizar como um processo de representação e de ressignificação para
compreender o mundo; conceito de letrar: Letrar como sinônimo de alfabetizar;
Letrar como convívio com as práticas de leitura e da escrita e por fim traremos
alfabetizar e letrar a partir dos conhecimentos prévios e a partir de histórias
orais e alfabetizar e letrar como democratização das práticas de leitura e de
escrita.
A análise da primeira questão da
entrevista revelou que os professores tem um conceito de alfabetizar como sendo
um ensino de noções básicas de leitura e de escrita pela criança, como veremos
a seguir:
“E fazer com que o menino saia com noções
básicas de leitura e de escrita” (Paola).
Para esta professora, a alfabetização é confundida com a escolarização. Conforme Teale (2018) a pratica de alfabetização não é meramente
a habilidade abstrata para produzir,
decodificar e compreender a escrita; pelo contrário
quando as crianças são alfabetizadas, elas fazem usos da
leitura e da escrita na execução das práticas de sua cultura. Porem devemos
lembrar-nos como nos diz Tfouni (2015) que de fato, a alfabetização está intimamente ligada à
instrução formal e às práticas escolares, visto próprias hipóteses. Por esse
motivo, é que muitas vezes confundimos o processo de alfabetização como se ele fosse idêntico aos objetivos propostos
pela escola. Como afirma Giroux (2018, p. 59), “a relação
entre alfabetização e escolarização torna-se clara se considerarmos que, embora a criança possa primeiramente
entrar em contato com a linguagem através
da família, é principalmente na escola que alfabetização se consuma”.
Quando analisamos a fala de Pablo
percebemos que ele tem uma visão de educação
emancipadora, quando ao falar sobre sua prática de alfabetização se coloca na
função orientador e não de professor afirmando:
“É conduzir o aluno a uma nova
experiência, permitindo que perceba o
mundo com seus olhos e não com a visão do mundo” (Pablo).
Para este professor esta nova visão só será possível se o ato de alfabetizar passar
a existir em um ensino e aprendizagem de “mão dupla”, não sendo capaz de desconsiderar o papel do aprendiz.
Com relação ao sujeito Sandra,
percebemos que compreende o ato de alfabetizar como ensino de um sistema
de representação da escrita, ou seja, a alfabetização consiste
no aprendizado de:
“Seria um processo de representação de
fonemas em grafemas (escrever) e de
grafemas em fonemas (ler), com compreensão de
significados, ou seja, substituições gradativas (ler um objeto, um gesto, uma figura ou um desenho, uma
palavra) em que o objeto primordial é a compreensão de mundo respeitando suas características culturais, econômicas e
tecnológicas” (Selma).
No que concerne ao que diz o sujeito Selma
quanto a alfabetizaçao como um sistema de representação da escrita, percebemos
uma ideia muito parecida com a de que alfabetizar é fazer com que o sujeito
reflita sobre a língua e assim construir suas Smolka (2011) de que as letras
escrita no papel são símbolos, porem ela não deixa claro como este processo de relação simbólica se dá, para que assim a
criança comece a ler, pois segundo
Lemle (2019) para que uma criança compreenda o que seja uma relação simbólica entre dois objetos ela precisa
primeiro entender o que seja um símbolo, para
assim compreender que cada letra vale como símbolo de um som de fala.
Conforme o que podemos observar na fala, o
apoio pedagógico ressalta a importância da alfabetização. Tendo em vista uma
relação diretavista. Nos trabalhos de Ferreiro (2011, 2018, 2019) a escrita da
criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de
construção pessoal. Ferreiro (2019) percebe que de fato, as crianças reinventam
a escrita, no sentido de que inicialmente precisam compreender seu processo de
construção e suas normas de produção.
A diferença entre alfabetização e
letramento tem sido discutida no Brasil a partir do trabalho de Soares (2011,
2016), que sistematizou essa discussão no livro Letramento: um tema em três
gêneros. Mas temos também valiosas contribuições de outros pesquisadores como
Kleiman (2019), que foi quem inaugurou aqui a discussão sobre a pesquisa em
letramentos, entre outros autores. Ao analisamos as falas de nossos sujeitos percebemos
que a sua compreensão do alfabetizar e letrar são bem definidas e claras,
compreendendo o que cada uma significa, vejamos:
“(risada) são coisas completamente
diferentes. Afinal é possível letrar o aluno surdo através da Libras e não
alfabetiza-lo, pois a aquisição da escrita é um processo mais lento do que dos
sinais” (Paola).
“É dá significado ao contexto colocando as
letras no contexto e não de forma
solta, não é só ensinar a decorar, mas ver que as letras têm um significado, som e utilidade. É saber fazer o uso da linguagem propriamente dita, compreender a cultura construída historicamente pelos homens e,
sobretudo, é fazer-se compreender através da
linguagem” (Pablo).
Em linhas
gerais, podemos resumir essa diferença como uma necessidade. Distinguir alfabetização e letramento é
necessário para que, por um lado, não se percam especificidades ligadas à apropriação da tecnologia da escrita, entendida
como alfabetização, e, por
outro, a continuidade e manutenção de usos sociais da escrita e da leitura, o letramento. Segundo Soares
(2016), o processo de letramento se inicia antes mesmo do processo escolar de alfabetização, nas culturas
letradas. É bom ressalvar que “cultura
letrada” tem um sentido amplo que vai muito além da cultura que está nos livros.
Segundo Soares (2014), de modo mais abrangente, “cultura da escrita”,
que engloba todos os modos de interagir
em sociedade por meio de textos escritos.
Afirmamos que alfabetização e letramento devem caminhar juntos, porém
não devendo ser confundida, pois é muito pouco para o exercício
da plena cidadania
apenas saber ler e escrever,
decodificar as letras,
“[...] nas sociedades letradas; ser alfabetizado é insuficiente para
vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas de hoje” (Soares, 2011). É preciso saber usar
a leitura e a escrita em práticas sociais que a requeiram com autonomia
e criticidade.
Ao analisamos o modo como estes
professores alfabetizam letrando seus alunos percebemos na fala deles que o
fazem de uma maneira que valorize o conhecimento prévio do aluno.
“É levar em conta o
que o aluno traz com ele, tem muito professor que só quer seguir o livro, mas o
principal que é a bagagem do aluno ele despreza e não considera os seus
conhecimentos prévios” (Paola).
“Valorizando o
conhecimento do aluno, contextualizando e sistematizando os conteúdos a ser
dado” (Selma).
“Utilizando o que
eles têm em mão, não com livros, pois o mundo é cheio de letras e eles chegam
para nos cheio de conteúdo. Estão utilizo rótulos de produtos, jornais,
revistas etc., para eles pesquisarem a letra do sinal, isso através da brincadeira, pois a vida deles é uma brincadeira” (Pablo).
Na nossa sociedade, o nascimento de um
indivíduo deve ser comprovado por um registro escrito. Esse pequeno exemplo já
é significativo do que estamos compreendendo como cultura escrita. Outro
aspecto que não se deve perder de vista é que oralidade e escrita mantêm-se num
contínuo. Os gêneros orais e escritos que usamos integram-se numa rede de
correspondências e trocas de acordo com as situações em que usamos a linguagem.
Os professores dizem que alfabetizam letrando partindo do contexto do aluno, no
período de observação podemos perceber como esse processo ocorre, os
professores utilizam-se da Libras que é a L1 do sujeito surdo para a partir
dela introduzir o sistema gráfico.
Ao falar da importância percebemos que
Selma enxerga a alfabetização e letramento como fator primordial para que se
democratize as práticas de leitura e de escrita.
“Democratizar a
vivencia de práticas de uso da leitura e da escrita e ajudar o estudante a
reconstruir essa invenção social que é a escrita alfabética, ativamente”
(Selma).
Para o Selma ser letrado é conviver com as
práticas sociais de leitura e de escrita, isso fica-nos evidente quando
analisamos a resposta dada a 2º questão.
“E conviver com as
práticas de leitura e escrita não sendo necessariamente uma pessoa letrada ao
que domina apenas a pratica de escrever” (Selma).
Letramento é segundo Cook (2017) a habilidade de colocar em ação todos os
comportamentos necessários para desempenhar adequadamente todas as possíveis
demandas de leitura. O processo escolar é apenas o início dessa formação, e,
como o que vem antes serve de base para o que vem depois, é preciso que o
professor se dê conta de todas as possibilidades e implicações deste momento da
formação de seus alunos. Ao analisarmos a vivencia do aluno surdo com seus
colegas, percebemos que, de forma peculiar a sua condição eles demonstram
possuir características de grupos letrados, mesmo sem serem alfabetizados,
mostrando-nos que apesar de andarem juntos a alfabetização e o letramento não
podem ser confundidos.
A condição de sujeito letrado se constrói
nas experiências culturais com práticas de leitura e escrita que os indivíduos
têm oportunidade de viver, mesmo antes de começar sua educação formal. Sabemos
que crianças surdas que vivem em ambientes letrados não só se motivam
precocemente para ler e escrever, mas começam, desde cedo, a poder refletir
sobre as características dos diferentes textos que circulam ao seu redor, sobre
seus estilos, usos e suas finalidades. Disso deriva uma implicação pedagógica
fundamental: para reduzir as diferenças sociais, a escola precisa assegurar a
todos os alunos, diariamente, a vivência de práticas reais de leitura e
produção de textos diversificados. Se a expressão “práticas” já foi usada
muitas vezes neste texto, isso não foi aleatório. Democratizar o acesso ao
mundo letrado não significa encher a sala de aula de recortes de jornal,
rótulos, embalagens, cartazes publicitários e colocar livros numa estante.
Pressupõe, isto sim, que o aprendiz possa vivenciar, no cotidiano escolar,
situações em que textos são lidos e escritos porque atendem a uma determinada
finalidade.
Considerações finais
Partindo da premissa que a alfabetização e
letramento devem caminhar juntos, pois é muito pouco para o exercício da plena
cidadania garantido pela Constituição federal (1998) apenas saber ler e
escrever, decodificar as letras, “[...] nas sociedades letradas; ser
alfabetizado é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e
responder às demandas de hoje” (Soares, 2013, p. 45). É preciso saber usar a
leitura e a escrita em práticas sociais que a requeiram com autonomia e
criticidade dissociada de textos escolares. A Educação Infantil é apenas o
início dessa formação, e, como o que vem antes serve de base para o que vem
depois, é preciso que o professor se dê conta de todas as possibilidades e
implicações deste momento da formação de seus alunos.
A alfabetização é um processo de natureza
complexa e está cercada por sentidos diversos e distintos. Assim, é papel do
educador perceber que qualquer sistema de comunicação escrita é profundamente
marcado por atitudes e valores culturais, pelo contexto social e econômico em
que é usado, sendo diferente em cada contexto e, que em decorrência destes contextos distintos, cada aluno tem seu
tempo para aprender, para se
alfabetizar e para se letrar, que deve ser respeitado pelo docente. O professor
deve levar em consideração todas as
concepções que envolvem o processo da alfabetização e do letramento, para que assim, seja possível
concretizar uma práxis coerente de aprendizagem, que
nem culpe o professor ou o aluno, nem os métodos, nem o contexto no qual estão inseridos e nem muito menos
o sistema escrito por não dar-se bem; mas que
trabalhe para que se ponha em prática um processo de alfabetização de qualidade para o aluno, buscando sempre fazer com
que este mesmo (o aluno) torne-se letrado e inserido
numa cultura esferográfica, objetivando também, proporcionar uma educação de
qualidade.
Os sujeitos pesquisados já trazem na sua
fala elementos importantes no processo de alfabetizar letrando, conforme a
nossa análise os sujeitos explicitam a relação dialética entre processo de
alfabetizar letrando na sua prática, o que efetivamente desenvolvem em sala de
aula e, especialmente, o movimento de reflexão e metareflexão que as crianças estabelecem
na construção desse sistema, no que se refere ao processo de apropriação e,
sim, pontuações, mas não ainda explicações críticas como ocorre o processo. Dessa
maneira há uma compreensão ainda híbrida do processo. Além disso, é importante
não esquecermos também, de que o processo de aprendizagem da leitura e da
escrita exige planejamento de quem leciona, levando em consideração a
diversidade e a sequência lógica das atividades propostas. Para tal, os
conhecimentos prévios são importantes, mas se faz necessário propiciar o
acesso, a reflexão acerca do escrito nas suas diversas funções, compreendendo
que o alfabetizar é diferente do letrar, embora sejam complementares e ou mesmo
indissociáveis.
Por fim, acrescentamos que não é somente o
professor que tem papel essencial no processo de alfabetização e de letramento
do educando, é também dever do Estado independente da instância, deve
proporcionar, através da educação, o acesso de todos os cidadãos ao direito de
aprender a ler e a escrever, possibilitando assim, o direito à aprendizagem
como uma das formas de inclusão social, cultural e política, construindo a
democracia e possibilitando a todos, maiores oportunidades de vida e, maior
qualidade na educação.
Contribución
de autoría
AMON: Autor
de correspondencia, búsqueda del corpus de investigación, construcción del
marco teórico, análisis estadístico y de resultados, discusión y conclusión,
edición general del texto.
ALOA: Análisis
estadístico y de resultados, conclusión y discusión, edición general del texto.
DGG:
Búsqueda del corpus de investigación, construcción del marco teórico, análisis
estadístico y de resultados, conclusión.
Conflicto de
Intereses
Los autores declaran que no existen
conflictos de intereses en la elaboración de la presente investigación.
Responsabilidad ética y legal
Los participantes, en esta investigación, dieron su consentimiento para el tratamiento de los datos requeridos; asimismo, se les informó sobre los fines académicos de la información.
Financiamiento
Esta investigación no ha recibido
financiación externa.
Correspondencia: oliveiraneto.a.m@gmail.com
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Trayectoria académica
Artur Maciel
de Oliveira Neto
Mestre em Educação Especial e Inclusiva (PROFEI) pela Universidade
Estadual Paulista (UNESP), Mestre em Ciência da Educação pela Universidad
Autónoma de Asunción (UAA), revalidado pela Universidade Católica de Petrópolis
(UCP). Possuo ainda Especialização em Tradução e interpretação pela FAHE, em
Docência no Ensino Superior de Libras pela FUNIP, em Neuropsicopedagogia e
Educação Especial e Inclusiva pela FUNIP, em Atendimento Educacional
Especializado AEE pela FUNIP e em Pedagogia, Gestão, Supervisão e Coordenação
Escolar pela FACOL. Sou Bacharel em Administração de Empresas pela Faculdade Santa
Helena (FSH), Licenciado em Letras com habilitação em Português e Inglês e suas
respectivas literaturas pela Universidade de Pernambuco (UPE) e Licenciado em
Letras Libras pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI).
Ana Lúcia de
Oliveira Aguiar
Graduada e Licenciatura em História pela Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) Mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Sociologia pela Universidade Federal da
Paraíba (UFPB). Pós-Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da
Universidade Federal do Ceará (UFC) na linha de pesquisa Movimentos Sociais,
Educação Popular e Escola. Tem Especialização em Inclusão pela Rede Municipal
de Educação de Mossoró/RN, Curso da Língua Brasileira de S(LIBRINAISAS), de
Intérprete de LIBRAS, pela UERN e Curso de LEDOR, pela UERN e pela CESGRANRIO,
Curso de Legendagem para Surdos e Ensurdecidos, pela UFRN, Curso de
Audiodescrição pela UFRN, Curso de Orientação e Mobilidade, pela UERN.
Atualmente é professora Adjunta IV da Universidade do Estado do Rio Grande do
Norte (UERN).
Daniel Gonzaléz Gonzaléz
Personal Docente e Investigador de la Universidad de Granada, adscrito
al Grupo de Investigación Sej059: Laboratorio de Investigación en Formación y
Profesionalización.

© El autor. Este artículo es publicado por la Revista
EDUCA UMCH de la Universidad Marcelino Champagnat como acceso abierto bajo los
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